segunda-feira, 28 de junho de 2010

Chek in

Cada pessoa age de uma forma diferente à medida que o tempo vai passando. Isso é a ordem natural das coisas. E isso também nem sempre é muito legal. Tem gente que muda do dia pra noite, assim como tem gente que demora um determinado tempo pra que a mesma – de alguma forma – sofra alguma mutação (no sentido menos heróico da palavra).

Certa vez me perguntei qual era a fórmula ou alguma possível explicação – se é que ela exista ou possa existir um dia – como as pessoas são capazes de mudar a tal ponto de causar a inconstância e uma certa desaceitação na vida de outrem. Outra vez me peguei em um momento de puro saudosismo, como sempre procurando perguntas dentro de respostas. Em vão, pois quanto mais chegava nesse ponto era uma queda, e me via num estado de espírito inquieto, com a qual eu não sentia a mínima falta. Não se pode dizer que tem um coração batendo no peito e sair andando por aí sem dar explicação quando se perguntado à respeito, como se nada tivesse acontecendo. Mas muita gente não sabe que é impossível responder a uma pergunta em que o questionado não sabe sequer o que há dentro de si.

Tenho evitado a desistência, na maioria das vezes. Os momentos em que eu chego enfim onde penso ser mais uma encruzilhada da minha vida são os mais angustiantes possíveis. E isso também não é muito legal.

Às vezes penso que minha vida é contada no check in, isso pra não dizer no caminho até o avião, e além disso isso pode ser a previsão de como será o próximo vôo. Turbulências? Virão sim, e elas são constantes pra mim. Tem saudade que vai junto com o avião, tem paixão que não solta do chão da nossa casa, tem ansiedade que fica na parede do nosso quarto. Mas mesmo assim meu vôo continua seguindo em frente, e o tempo não pára pra que eu possa descansar.

Eu preciso de muitas coisas. Mas tem mais coisas ainda de que eu não preciso.

É. Me sentirei mais seguro dentro de um avião mesmo. Um avião sem piloto.

sábado, 26 de junho de 2010

Então deixa que o tempo (8)

Muita gente deve estar tendo os mesmos pensamentos que eu nesse momento. É como se isso fosse um ensaio e todo mundo combinasse de imaginar a mesma coisa ao mesmo tempo. Pode parecer estranho, mas em muitas ocasiões isso acontece sem que nós mesmos saibamos que outrem está pensando a mesma coisa que a gente. Bom, o que venho dizer aqui hoje nada mais é do que mais um mero eufemismo criado por eu mesmo.

Alguém aí, por obséquio, poderia me dizer quem são as pessoas – ou A pessoa – que te ame e goste de você de verdade? Pois bem, mais uma vez dentro da resposta dessa pergunta haveria outra pergunta que a qual não cabe a mim tentar entender. Mas não deixa de ser uma boa questão. O que mais se vê por aí é gente com medo de se expressar e dizer o que sente de verdade, seja lá por qual motivo for, e isso é errado e cruel. Assim uma coisa que deveria ser dita a alguém fica escondida e cada vez mais esse medo vai aumentando. E nisso o tempo vai passando… e passando. Penso que há um momento pra que a gente saiba quem é que goste da gente de verdade, e esse momento não é nada agradável. Na hora que você deixa de ser matéria e passa a ser somente espírito.

Esse é o único momento em que você pode realmente conhecer as pessoas que conviviam contigo, ver o que se passa com elas e até mesmo descobrir o que elas sentem. Mas, do que adianta descobrir essas coisas sendo que você não pode fazer mais absolutamente nada? O certo seria decifrar essas inconstâncias enquanto a pessoa estivesse presente e em vida, porque aí sim ela teria o que fazer e se sentiria infinitamente realizada descobrindo que alguém, pelo menos em silêncio, a amava.

É como se você estivesse em uma viagem e pegasse no sono durante todo o caminho, daí no fim do percurso você perceberia que perdeu o melhor da viagem. As paisagens, os lugares e tudo mais que se pode notar em uma viagem seria em vão, porque você dormiu e não viu nada. Daí depois, alguém chegaria até você e te contaria tudo e por um breve momento a tristeza te tomaria justamente por não ter presenciado e desfrutado daquele momento.

É mais ou menos por aí. Você só saberia de certas coisas no depois, e não no agora, sendo que agora é sempre o momento de dizer o que tem pra dizer. E deixa que o tempo se encarrega de mandar o medo pra bem longe.

Um pouco mais de desespero, por favor.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Saudades :'(

Eu já me machuquei de tanto sentir saudade.

Foi de repente, e quando me vi já estava com aquilo impregnado dentro do meu peito como velcro. Não coube a mim escolher se sentiria aquilo ou não, foi algo automático e injusto. Sim, na maioria das vezes a saudade é injusta. Me peguei em um momento de muita ansiedade – como sempre acontece comigo e isso não é novidade nenhuma aqui – e não sabia ao certo o que fazer exatamente. E agora?

Inconstância. Nada é capaz de barrar esse sentimento acompanhado de uma dose considerável de ansiedade. Talvez essa seja a principal fórmula da loucura, ou até mesmo da eminente situação que me vejo nos intervalos de tempo em que paro pra pensar. Inquietação. A gente não sabe, mas há certos caminhos e estradas da nossa vida em que sequer há uma certa percepção emocional e notória. Algumas coisas – pessoas, lugares, histórias – simplesmente sumiram da minha vida e é até engraçado pensar que elas não fazem falta alguma. É assim que acontece, e a gente só se dá conta disso quando pára pra dar lugar ao bom e velho saudosismo, nem que seja por alguns poucos minutos.

Só sente saudade quem um dia já amou ou sentiu algo realmente verdadeiro. Saudade é você passar por um caminho e reciprocamente esse caminho também passar por você e deixar marcas, e motivos de sobra para futuras lembranças benéficas. É você se prender à determinados momentos e pessoas da vida simplesmente por eles terem sido simples de mais naquele milésimo de segundo. E isso vale a pena. E muito. A vida é isso mesmo, o tempo vai passando e a saudade apenas vai mudando de endereço…

Para que a saudade valha a pena, é preciso ser amado. E amar. E amar-se.

Oi, saudade. Fazia tempo que não tê sentia. Mas agora já pode ir embora e parar de me atrapalhar a vida.