Olha quem voltou. A figura eminente da forma física da inconstância. De volta. De novo. E novo.
Sinto mais ar cabendo em meus pulmões e uma pausa mais longa nas entrelinhas do que eu tenho pra falar, bem como o aconchego de forma carinhosa e ímpar do meu lar. Estive longe do que eu queria me afastar justamente pra encontrar alívio em qualquer palavra que eu ouvisse. Estive longe de mim. Às vezes pego carona no que eu não sei se algum dia terá a viagem de volta.
Sentado do lado da janela eu podia ver o que passava e ficava pra trás, e um pouco do que ainda tinha que ser ultrapassado. Parece que sozinho a gente encontra alguma coisa que se assemelhe a uma resposta do que você tanto quer saber. Procuro saber o que eu ainda não sei, mas só de reler alguns trechos mentais meus sinto como se passeasse pelo tempo, num ônibus com somente um banco, de uma linha que termina no hoje.
Entre o sim e o não: talvez. Isso serve como prefácio da minha vida. Nada mais justo do que reticenciar uma pessoa como eu logo no começo, ao invés de fazê-lo no final. A minha grafia impede que o leitor tenha a conclusão exata do que eu propriamente escrevo. Só sei que pedi um tempo pra pensar e não precisei nem de meia hora pra perceber o quanto eu amo e o quanto é bom estar acompanhado, e assim não mais sozinho.
Daonde eu tiro tudo isso?
Não há um saco sem fundo, nem um baú, muito menos algum logradouro inexistente que só se atinge em pensamento. É de verdade. É muito real. Na verdade eu não sei o que é, pois só tenho acesso a ele quando estou de olhos fechados. Tudo que me vem à memória agora são as paredes frias e o eco da minha voz, que se perde no espaço. Quando menos espero, me pego apalpando memórias em busca de algo que faça sentido para todos, e não só pra mim. Eu vivo em função de compartilhar minhas dádivas e meus demônios com aqueles que optaram por me seguir. Eu vivo em função dos que significam algo pra mim e me consideram.
Hoje o tempo voa. Temos uma vida só, mas dentro dessa podemos viver muitas. E eu quero todas as minhas. Porque a gente nasceu pra ser feliz!
Eu faço parte de toda essa viagem, mas não sou o piloto. Não sou o passageiro. Não sou o pedestre.
Eu sou o acidente, e eu sou grave.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Palavras
Esse que aqui escreve sou eu com saudade, indigno de menção fotográfica.
Ando terminando frases com ‘to fora’ e preenchendo lacunas de diálogos com ‘…enfim’. Essa tem sido minhas respostas no momento, respostas de poucas palavras mas que escondem muitas explicações em suas entrelinhas. Às vezes não é necessário dar uma resposta que a outra pessoa a classifique como resposta, exatamente, mas se você tem as manhas do que está falando é melhor se omitir e logo de cara mandar uma coisa tal como um eufemismo, pra aliviar e amenizar o real efeito do que realmente deveria ser mencionado.
Muita gente tem medo de ouvir algo que de alguma forma lhe causará incômodo. De fato isso é normal, pois sei que toda contradição é o oposto do que você realmente defende e acredita. A ficha demora a cair, mas o que se pode fazer quando não há absolutamente mais nada a fazer? Lamentar, talvez. Chorar, quem sabe. E lembrar. E relembrar.
Impressiona a capacidade que o ser humano têm de se expor ao ridículo quando está desesperado. Isso também serve pra quem vive numa ansiedade sem fim e sem saber o porquê. Ansiedade é uma das piores coisas do mundo. É como esperar por algo que a gente não tem a mínima idéia da possibilidade de acontecer. Normalmente a gente fala ou faz as coisas mais idiotas do mundo quando tá ansioso demais ou algo do tipo. E normalmente isso não é muito legal.
Quanto mais eu descubro coisas sobre a vida, menos eu sei sobre eu mesmo. E digo mais, eu escrevo pra remover em mim o excesso de culpa, mesmo ela não sendo minha. Culpa essa de não saber a hora certa de dizer as coisas. Culpa que me culpa. Culpa essa que me tira o sono quando me sinto incomodado com coisas que não devem ser explicadas mas que dão vontade de explicar.
Pra mim – isso pode ser muito pessoal – escrever é enfiar um dedo na garganta. Essa ânsia que eu sinto é amenizada quando eu cuspo todas essas minhas inconstâncias em todas as direções eu as devio de quem eu quero, deixando atingir quem realmente precisa ser atingido. Mas o mais prejudicado nessa história toda sou eu mesmo, eu peco na minha omissão e isso é como se eu apontasse uma arma contra meu próprio peito e apertasse o gatilho.
O que está escrito na maioria das vezes é fictício, mas confesso gostar tanto desse cenário que dá vontade de vivê-lo sempre.
Há palavras que nos roubam. Há palavras que nos devolvem.
Ando terminando frases com ‘to fora’ e preenchendo lacunas de diálogos com ‘…enfim’. Essa tem sido minhas respostas no momento, respostas de poucas palavras mas que escondem muitas explicações em suas entrelinhas. Às vezes não é necessário dar uma resposta que a outra pessoa a classifique como resposta, exatamente, mas se você tem as manhas do que está falando é melhor se omitir e logo de cara mandar uma coisa tal como um eufemismo, pra aliviar e amenizar o real efeito do que realmente deveria ser mencionado.
Muita gente tem medo de ouvir algo que de alguma forma lhe causará incômodo. De fato isso é normal, pois sei que toda contradição é o oposto do que você realmente defende e acredita. A ficha demora a cair, mas o que se pode fazer quando não há absolutamente mais nada a fazer? Lamentar, talvez. Chorar, quem sabe. E lembrar. E relembrar.
Impressiona a capacidade que o ser humano têm de se expor ao ridículo quando está desesperado. Isso também serve pra quem vive numa ansiedade sem fim e sem saber o porquê. Ansiedade é uma das piores coisas do mundo. É como esperar por algo que a gente não tem a mínima idéia da possibilidade de acontecer. Normalmente a gente fala ou faz as coisas mais idiotas do mundo quando tá ansioso demais ou algo do tipo. E normalmente isso não é muito legal.
Quanto mais eu descubro coisas sobre a vida, menos eu sei sobre eu mesmo. E digo mais, eu escrevo pra remover em mim o excesso de culpa, mesmo ela não sendo minha. Culpa essa de não saber a hora certa de dizer as coisas. Culpa que me culpa. Culpa essa que me tira o sono quando me sinto incomodado com coisas que não devem ser explicadas mas que dão vontade de explicar.
Pra mim – isso pode ser muito pessoal – escrever é enfiar um dedo na garganta. Essa ânsia que eu sinto é amenizada quando eu cuspo todas essas minhas inconstâncias em todas as direções eu as devio de quem eu quero, deixando atingir quem realmente precisa ser atingido. Mas o mais prejudicado nessa história toda sou eu mesmo, eu peco na minha omissão e isso é como se eu apontasse uma arma contra meu próprio peito e apertasse o gatilho.
O que está escrito na maioria das vezes é fictício, mas confesso gostar tanto desse cenário que dá vontade de vivê-lo sempre.
Há palavras que nos roubam. Há palavras que nos devolvem.
sábado, 10 de julho de 2010
Memórias custam a apagar
Lembro que fui pego de surpresa ao receber uma visita inesperada. Eu estava como sempre estive, assistindo a minha vida passar e mudando o que eu achava necessário mudar. Às vezes sorrindo, ora em silêncio, mas sempre atento ao que me rodeava e ao que insistia em me tocar os tímpanos tal como uma nota de alguma melodia.
Lembro que a alegria – quando deveras era demonstrada – contagiava a todos que comigo estavam e sempre fazia com que um ou outro sorriso se estampasse no rosto de alguém. Posso dizer que isso era tida como uma rotina, mas me esqueci que a rotina é uma coisa que foi criada pra ser quebrada. E isso nem sempre é legal.
Lembro que minha visita insistia em dizer somente a verdade e aquilo me causava um certo desespero e me tirava a paz. Tomei as rédeas da situação e bati de frente com tudo aquilo que se encontrava na minha frente armada até os dentes. E com munição de sobra ainda. E o que fazer? E o que sentir?
NADA. Ouvir, apenas. Me lembrei também que em certos momentos eu prefiro as mentiras multifacetadas, valem mais à pena, pelo simples fato de me deixar imune de tudo aquilo que eu NÃO queria saber e muito menos ouvir. Daí eu tento aceitar que assim vai ser melhor pra mim, mas não dá para acreditar. Tomando um tapa na cara a cada contradição minha eu já me via grogue e mesmo assim insistia na versão da história que a qual eu próprio era o diretor.
Resistir. Sei que há sempre aquele determinado momento na vida em que muita gente resolve botar pra fora alguma coisa que está guardada dentro de si e que nunca foi exposto à nada e à ninguém, nem que seja pela primeira vez na vida isso um dia acontece, cada um tem sua hora e seu tempo e quando fui 0 alvo desse arsenal de verdades, aquilo parecia não ser real, justamente por eu não querer acreditar no que ouvia. Mas aquela cena na minha sala de visita eu era um mero espectador somente, nada podia fazer além de ouvir e aceitar.
Acho que falo demais. Acho que falo mais do que sinto. E foi assim que consegui o passaporte para me tele-transportar pra dentro do meu peito pra perguntar quanto tempo aquela hóspede ficaria aqui. Quanto tempo? O tempo necessário pra eu aprender que determinadas coisas na vida devem ser aceitas sem um porquê, e que não importa o quão forte seja a dor daquilo que te acontece e que te chega aos ouvidos, que nem nossas lembranças mais fortes, nem os momentos mais felizes e muito menos as marcas de toda uma vida são capazes de mudar o que já aconteceu e não volta mais.
“ A lembrança do silêncio
Daquelas tardes, daquelas tardes”
PORRA!
Memórias custam a apagar. Daria tudo pra ser como antes. Ando pensando assim, em círculos, com respostas dentro de perguntas. Mas nenhuma pergunta é grande o suficiente para comportar a resposta que eu procuro.
“As coisas aconteciam com alguma explicação
Era assim que as coisas aconteciam
Era assim que eu via tudo acontecer.”
Lembro que a alegria – quando deveras era demonstrada – contagiava a todos que comigo estavam e sempre fazia com que um ou outro sorriso se estampasse no rosto de alguém. Posso dizer que isso era tida como uma rotina, mas me esqueci que a rotina é uma coisa que foi criada pra ser quebrada. E isso nem sempre é legal.
Lembro que minha visita insistia em dizer somente a verdade e aquilo me causava um certo desespero e me tirava a paz. Tomei as rédeas da situação e bati de frente com tudo aquilo que se encontrava na minha frente armada até os dentes. E com munição de sobra ainda. E o que fazer? E o que sentir?
NADA. Ouvir, apenas. Me lembrei também que em certos momentos eu prefiro as mentiras multifacetadas, valem mais à pena, pelo simples fato de me deixar imune de tudo aquilo que eu NÃO queria saber e muito menos ouvir. Daí eu tento aceitar que assim vai ser melhor pra mim, mas não dá para acreditar. Tomando um tapa na cara a cada contradição minha eu já me via grogue e mesmo assim insistia na versão da história que a qual eu próprio era o diretor.
Resistir. Sei que há sempre aquele determinado momento na vida em que muita gente resolve botar pra fora alguma coisa que está guardada dentro de si e que nunca foi exposto à nada e à ninguém, nem que seja pela primeira vez na vida isso um dia acontece, cada um tem sua hora e seu tempo e quando fui 0 alvo desse arsenal de verdades, aquilo parecia não ser real, justamente por eu não querer acreditar no que ouvia. Mas aquela cena na minha sala de visita eu era um mero espectador somente, nada podia fazer além de ouvir e aceitar.
Acho que falo demais. Acho que falo mais do que sinto. E foi assim que consegui o passaporte para me tele-transportar pra dentro do meu peito pra perguntar quanto tempo aquela hóspede ficaria aqui. Quanto tempo? O tempo necessário pra eu aprender que determinadas coisas na vida devem ser aceitas sem um porquê, e que não importa o quão forte seja a dor daquilo que te acontece e que te chega aos ouvidos, que nem nossas lembranças mais fortes, nem os momentos mais felizes e muito menos as marcas de toda uma vida são capazes de mudar o que já aconteceu e não volta mais.
“ A lembrança do silêncio
Daquelas tardes, daquelas tardes”
PORRA!
Memórias custam a apagar. Daria tudo pra ser como antes. Ando pensando assim, em círculos, com respostas dentro de perguntas. Mas nenhuma pergunta é grande o suficiente para comportar a resposta que eu procuro.
“As coisas aconteciam com alguma explicação
Era assim que as coisas aconteciam
Era assim que eu via tudo acontecer.”
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