Olha quem voltou. A figura eminente da forma física da inconstância. De volta. De novo. E novo.
Sinto mais ar cabendo em meus pulmões e uma pausa mais longa nas entrelinhas do que eu tenho pra falar, bem como o aconchego de forma carinhosa e ímpar do meu lar. Estive longe do que eu queria me afastar justamente pra encontrar alívio em qualquer palavra que eu ouvisse. Estive longe de mim. Às vezes pego carona no que eu não sei se algum dia terá a viagem de volta.
Sentado do lado da janela eu podia ver o que passava e ficava pra trás, e um pouco do que ainda tinha que ser ultrapassado. Parece que sozinho a gente encontra alguma coisa que se assemelhe a uma resposta do que você tanto quer saber. Procuro saber o que eu ainda não sei, mas só de reler alguns trechos mentais meus sinto como se passeasse pelo tempo, num ônibus com somente um banco, de uma linha que termina no hoje.
Entre o sim e o não: talvez. Isso serve como prefácio da minha vida. Nada mais justo do que reticenciar uma pessoa como eu logo no começo, ao invés de fazê-lo no final. A minha grafia impede que o leitor tenha a conclusão exata do que eu propriamente escrevo. Só sei que pedi um tempo pra pensar e não precisei nem de meia hora pra perceber o quanto eu amo e o quanto é bom estar acompanhado, e assim não mais sozinho.
Daonde eu tiro tudo isso?
Não há um saco sem fundo, nem um baú, muito menos algum logradouro inexistente que só se atinge em pensamento. É de verdade. É muito real. Na verdade eu não sei o que é, pois só tenho acesso a ele quando estou de olhos fechados. Tudo que me vem à memória agora são as paredes frias e o eco da minha voz, que se perde no espaço. Quando menos espero, me pego apalpando memórias em busca de algo que faça sentido para todos, e não só pra mim. Eu vivo em função de compartilhar minhas dádivas e meus demônios com aqueles que optaram por me seguir. Eu vivo em função dos que significam algo pra mim e me consideram.
Hoje o tempo voa. Temos uma vida só, mas dentro dessa podemos viver muitas. E eu quero todas as minhas. Porque a gente nasceu pra ser feliz!
Eu faço parte de toda essa viagem, mas não sou o piloto. Não sou o passageiro. Não sou o pedestre.
Eu sou o acidente, e eu sou grave.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
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