terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vou desconstruir a saudade pra voltar a viver.

Talvez devo estar sendo repetitivo demais ao dizer que a ficha ainda não caiu, mas é a mais pura verdade que insiste em tocar a ponta da língua até ser pronunciada. Hoje, isso faz parte daquelas coisas que parecem não caber em um mês, mas cabem. A gente caminha procurando algum vestígio deixado pra provar que algum dia em algum momento tu esteve bem ali, ocupando aquele espaço que hoje fica vago e que em vezes chega a ficar longínquo, me levando à passeio nas lembranças de uma vida que vem e vai com o tempo.

Teu retrato sobre o móvel da sala mostra que aquele território ali é teu, que aquela varanda na entrada da casa é tua, e mostra principalmente o mais genuíno dos significados, a saudade e falta que tu faz. Trinta dias e algumas horas fazem uma certa reviravolta dentro da cabeça, mas de uma certa forma isso me força a ver os mais sublimes momentos também.

Achei que bastasse fechar os olhos com bastante força pra fazer o tempo retroceder. A gente mentaliza seguido sempre da promessa: só dessa vez. Mas essa tarefa nem sempre é concluída com sucesso. Às vezes eu só quero minha vida simples de volta, será que é pedir de mais? Existem certas coisas que é melhor não entender ou não saber, acredite, dói menos. Essa saudade que agora fica são todas as coisas que estão ali para nos dizer que não, a pessoa não foi embora. Muito pelo contrário: ela ficou e de lá não sai.

Teu silêncio é mais alto que o barulho das trubinas que esse avião onde estou faz. Confesso que estaria mais seguro aqui mesmo, só que sem piloto. Descobri o porquê de eu estar me emocionando com qualquer coisa que alguém fale, coisa típica de gente que tem o coração maior que o cérebro. Taí um comportamento humano que eu definitivamente não entendo. Sentir saudades de alguém não quer dizer que você conviveu com a pessoa muito tempo, mas sim porque ela te marcou em algum momento. Eu sempre me imagino voltando ao passado e fazendo a minha vida do mesmo jeitinho – em momentos mudando algumas coisinhas – e com uma dose infinita de intensidade. Sinto muito, mas ele sempre está lá. Incógnito, invisível, inviável. In, enfim.

A arte de controlar os sentimentos essa eu ainda não domino. Tenho a super habilidade de me magoar sozinho aí depois fazer as pazes comigo mesmo. Eu tenho uma casa cheia de coisas mas que ao mesmo tempo está vazia, e uma vontade eminente de deixar tudo no seu devido lugar, (re)começar do zero faz eu me sentir muito perdido nessa vida. Uma pequena ressalva agora, uma que me tomou há alguns dias, pensei comigo ”por vergonha de parecer exigente e egoísta demais, sonhei pequeno. Isso foi suficiente para mantê-lo longe dos meus pensamentos.” Quem é que quer perder alguém que gosta muito? Eu sou egoísta. Você é egoísta. O mundo todo é egoísta.

Vou desconstruir a saudade pra voltar a viver.

Posso não saber muitas coisas, mas sei perfeitamente como ser um ser humano completo de corpo, ALMA e CORAÇÃO.

Posso não saber muito, mas sei como amar alguém

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