terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Se o vazio fosse real, a gente botava algo no lugar.

Tem sentimento que é intenso demais, inquietante demais, e grande demais. Esse não fica guardado no peito. Ele explode pra todos os lados.

É um vício pessoal que atinge quem se prostar no caminho de quem o possui, independentemente da vontade do individuo. Essa situação é automática, com força própria, sem precedentes ou aviso prévio, mas com o mais puro e genuíno sentimento na sua fórmula. O choro e uma perceptível falha na voz podem ser a demonstração de quão fiel e singela é a delicadeza com que você trata determinado assunto envolvendo uma outra pessoa.

Esse veludo nada mais é do que aquela ferida causada por uma arma de fogo qualquer, essa mesma que na qual deixou alojada uma bala – com um calibre desmedido – do lado esquerdo do peito, onde ela mais tem força e mais machuca. O único problema não é essa saudade que a ferida traz viver batendo, o problema sou eu viver apanhando por ter ela na alma e no coração.

Volto a dizer: saudade não é vazio, é presença. Presença de algo que não está mais ali. A pessoa demora a aceitar isso quando se depara toda manhã com aquela lembrança mais explícita logo na sua frente, mas dentro dela tem alguma coisa que faz ela acreditar que é isso mesmo e ponto final. O sofrimento causado por esse sentimento nasce das inadequações. O que queremos da vida esbarra no que a vida nos oferece. Só o esforço diário e o tempo são capazes de definir algum tipo de resultado. Não permita que as insatisfações pessoais de hoje determinem as esperanças futuras, pois essa vida que todo mundo tem não se limita ao momento presente.

Algo me diz que perdi algo. Pode ser que não seja nada demais. Pode ser que signifique uma das coisas mais importantes do mundo.

Se o vazio fosse real, a gente botava algo no lugar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dezoito anos, me fizeram ver

O tempo passa rápido e a gente nem percebe. Acredite, porque é verdade.

Me lembro muito bem, como se fosse ontem. Pra onde quer que eu olhe há sempre algo que de alguma forma tem a capacidade de me reportar no tempo, nem que seja por um breve momento. Me prosto diante do quintal de casa, fazendo aquela sondagem nostalgica em cima dos mais singelos objetos e lugares que encontro pela frente, sempre fazendo perguntas, mas nunca encontrando uma resposta capaz de me assossegar a alma. Lembro que eu corria pelo quintal de casa tal como um louco e com um baita sorriso estampado na cara. Lembro que havia uma época do ano em que eu era mais feliz que as demais, e nesse período de tempo nada era capaz de me decepcionar, nem mesmo a idéia de que um desses muitos dias de setembro me deixaria mais velho. Eu cresci. E fui crescendo.

Hoje vejo que o pensamento que tenho bordado pelos diversos fios que se alojam dentro da cabeça – aquele mesmo, indigno e dono dessa minha inconstância - é totalmente o contrário daquilo que me fazia um certo bem na minha infância. O lugar é o mesmo, com algumas pequenas mudanças é claro. As tintas das paredes e das madeiras já não demonstram mais aquele brilho e contraste de outrora, agora o que se vê é uma pequena textura quase que imperceptivel, textura essa que é firme o suficiente pra tampar ao menos as marcas de bola que eu sempre deixava nas paredes, que era minha marca registrada.

A gente precisa aprender que aquele desejo de ficar mais velho um dia vira negação, um dia você vai ver que erroneamente estava tentando adiantar o tempo e quando você se dar conta será meio tarde, pois um grande espaço de tempo talvez tenha sido desperdiçado nessa tentativa impensante de crescer logo.

Ah, como o tempo passou! Todos aqueles fins de tarde nunca terão sido em vão. Um à um eles vão me recordando de como eu fui feliz. De todas as coisas que eu ainda lembro a primavera nunca foi a mesma. Os anos passam e o tempo parece voar, mas as memórias sempre permanecem. No começo, meio e fim de Setembro, eu ainda brincava na chuva e tudo era sorrisos e alegrias. Me pego agora refletindo como foram especiais todas aquelas coisas que me tiravam de casa pra me fazer o ser humano mais feliz desse mundo. Valeu a pena no final. Agora tudo parece tão claro, não sobrou nada à temer além do medo de perder as memórias e imagens guardadas dentro da cabeça e do coração. Agora os dias são tão longos mas ao mesmo tempo quietos e sorrateiros que a primavera está vindo aí junto com meu décimo oitavo aniversário. Eu alcancei alguma coisa que já se foi.

Eu sabia que teria que deixar o tempo passar querendo ou não, mas eu nunca sabia quando nem como. Eu terminaria aqui, hoje, da maneira que sou e estou. Sim, eu sabia que tinha que deixar o tempo passar. Mas nunca saberia como nem quando. O único pensamento relevante que me assossega um pouco é que, o tempo passa pra todo mundo, e não é só eu que envelheço com isso.

E aí que eu senti o peso do tempo nas minhas costas com meus dezoito anos de idade. Sejam fotos, filmes ou histórias reais… eu me derreto com tudo que faça menção à minha infância. Desculpe, mas meu choro é sincero.

O tempo passa muito rápido e a gente nem se dá conta disso. Acredite, porque é verdade.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vou desconstruir a saudade pra voltar a viver.

Talvez devo estar sendo repetitivo demais ao dizer que a ficha ainda não caiu, mas é a mais pura verdade que insiste em tocar a ponta da língua até ser pronunciada. Hoje, isso faz parte daquelas coisas que parecem não caber em um mês, mas cabem. A gente caminha procurando algum vestígio deixado pra provar que algum dia em algum momento tu esteve bem ali, ocupando aquele espaço que hoje fica vago e que em vezes chega a ficar longínquo, me levando à passeio nas lembranças de uma vida que vem e vai com o tempo.

Teu retrato sobre o móvel da sala mostra que aquele território ali é teu, que aquela varanda na entrada da casa é tua, e mostra principalmente o mais genuíno dos significados, a saudade e falta que tu faz. Trinta dias e algumas horas fazem uma certa reviravolta dentro da cabeça, mas de uma certa forma isso me força a ver os mais sublimes momentos também.

Achei que bastasse fechar os olhos com bastante força pra fazer o tempo retroceder. A gente mentaliza seguido sempre da promessa: só dessa vez. Mas essa tarefa nem sempre é concluída com sucesso. Às vezes eu só quero minha vida simples de volta, será que é pedir de mais? Existem certas coisas que é melhor não entender ou não saber, acredite, dói menos. Essa saudade que agora fica são todas as coisas que estão ali para nos dizer que não, a pessoa não foi embora. Muito pelo contrário: ela ficou e de lá não sai.

Teu silêncio é mais alto que o barulho das trubinas que esse avião onde estou faz. Confesso que estaria mais seguro aqui mesmo, só que sem piloto. Descobri o porquê de eu estar me emocionando com qualquer coisa que alguém fale, coisa típica de gente que tem o coração maior que o cérebro. Taí um comportamento humano que eu definitivamente não entendo. Sentir saudades de alguém não quer dizer que você conviveu com a pessoa muito tempo, mas sim porque ela te marcou em algum momento. Eu sempre me imagino voltando ao passado e fazendo a minha vida do mesmo jeitinho – em momentos mudando algumas coisinhas – e com uma dose infinita de intensidade. Sinto muito, mas ele sempre está lá. Incógnito, invisível, inviável. In, enfim.

A arte de controlar os sentimentos essa eu ainda não domino. Tenho a super habilidade de me magoar sozinho aí depois fazer as pazes comigo mesmo. Eu tenho uma casa cheia de coisas mas que ao mesmo tempo está vazia, e uma vontade eminente de deixar tudo no seu devido lugar, (re)começar do zero faz eu me sentir muito perdido nessa vida. Uma pequena ressalva agora, uma que me tomou há alguns dias, pensei comigo ”por vergonha de parecer exigente e egoísta demais, sonhei pequeno. Isso foi suficiente para mantê-lo longe dos meus pensamentos.” Quem é que quer perder alguém que gosta muito? Eu sou egoísta. Você é egoísta. O mundo todo é egoísta.

Vou desconstruir a saudade pra voltar a viver.

Posso não saber muitas coisas, mas sei perfeitamente como ser um ser humano completo de corpo, ALMA e CORAÇÃO.

Posso não saber muito, mas sei como amar alguém

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Escrevo demais por não ter absolutamente mais nada a dizer.

Hoje foi mais um dia que fiquei a fim de uma coisa que eu não sei exatamente o que é dentre as várias coisas que eu venho querendo ultimamente.

Minha vida tem feito algum sentido, pelo menos por esses dias. Coisas boas acontecendo o tempo todo e algumas melhores não acontecendo, mas que deveriam acontecer, coisas essas que deveriam sair da teoria e se mostrar na prática.

Impressiona a capacidade que eu tenho de gostar do que não existe. Aliás, não sei se ‘gostar’ é o verbo correto a se usar na ocasião. Isso é como se você estivesse em um sonho num lugar magnífico e com isso se sentisse infinitamente feliz. Tudo são flores e os pássaros cantam enquanto você caminha por entre os ramos verdejantes. Além disso eu acho que isso seria um motivo pra gostar de tudo aquilo que me esforço pra conquistar. Conhecer o novo, abranger o desconhecido e conquistá-lo, tá aí a minha fórmula da felicidade – se é que há uma fórmula pra ela.

Penso que eu deveria ter todos os motivos do mundo pra não acreditar nisso tudo que eu insisto em acreditar, tal como continuo acreditando – mesmo nos dias de hoje – em relacionamentos cheios de verdade, onde demonstrações de carinho são irrefutáveis consequências. De tonto eu só tenho a cara e o jeito de andar, mas não tenho conseguido parar de pensar nisso ultimamente. As pessoas dizem que a vida é curta e que você pode ser atropelado por um ônibus em qualquer momento e que você tem que viver cada dia como se fosse o último. BESTEIRA. A vida é longa! Você provavelmente não vai ser atropelado por um ônibus na esquina da tua casa não, e você vai ter que viver com as escolhas que você faz para os próximos cinquenta anos.

Uma das principais inconstâncias minhas no momento é essa estranha sensação de engolir o mundo inteiro e ainda faltar algo. É como se eu sentisse um carinho calado que na verdade não existe, e com isso resguardasse um amor digno de apresentação pública.

Escrevo demais por não ter absolutamente mais nada a dizer. E pra mim o impossível ainda é possível.

Tudo tem um limite, até isso. Todos tem um limite, até eu.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Tenho tantos sentimentos, deve ter algum que sirva.

Ando totalmente perdido; tipo, na vida.

Existem palavras que não consigo mais pronunciar, como se tivessem sido arrancadas do meu vocabulário. Não acho totalmente perda de tempo ficar quieto em determinados momentos, pois sei que esse breve silêncio vago em que nada é falado às vezes é mais eloquente do que algumas frases ditas. Fiz um trato com o tempo, e prometi fazer qualquer negócio em troca de saber a hora certa de dizer as coisas.

Às vezes eu tenho medo de perder certas coisas que só eu sei o que significam pra mim. Já perdi tantas nessa vida que não quero mais isso. Perder a coragem de falar pra mim é mais ou menos como se me contemplassem um dia com uma dose considerável de creolina junto ao meu café da manhã, e isso me levaria a uma viagem com passagem só de ida pra onde não adiantaria de nada eu gritar o que às vezes me dá vontade de gritar. Falar e sentir são as duas faces de uma mesma moeda, é ação que por sua vez tem sua reação.

Penso que devemos ser a mudança que queremos ver. Aperte o play e se assista como quiser, mas te assista, acima de tudo e de todos. Existem duas pessoas em mim: o que eu faço e o que eu sou. São pessoas diferentes que, aos olhos de muitos, são absolutamente iguais. Eu não desisto de me assistir. Não desisto absolutamente de nada, nem mesmo dos meus sonhos. Obstáculos vem, mas também somem, basta eu querer. Só depende de mim.

Coloco isso na minha Prateleira Das Coisas Que Vem Em Primeiro Plano, porque ficar em segundo plano é somente aquilo que não é digno de ficar em primeiro. E digo mais sobre coisas consideradas significantes pra mim; há determinado tipo de pessoa que eu nem preciso me dar ao trabalho de desconfiar, é bom caráter e ponto, e além disso me faz querer ser dopado de tal companhia quando eu mais preciso, tipo agora. Gente assim me arranca uma porção de sorrisos, enfim. Eu sempre acho uma porção de coisas, mas acabo encontrando nada. Invariavelmente.

Tenho tantos sentimentos, deve ter algum que sirva.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eu sou o acidente, e eu sou grave

Olha quem voltou. A figura eminente da forma física da inconstância. De volta. De novo. E novo.

Sinto mais ar cabendo em meus pulmões e uma pausa mais longa nas entrelinhas do que eu tenho pra falar, bem como o aconchego de forma carinhosa e ímpar do meu lar. Estive longe do que eu queria me afastar justamente pra encontrar alívio em qualquer palavra que eu ouvisse. Estive longe de mim. Às vezes pego carona no que eu não sei se algum dia terá a viagem de volta.

Sentado do lado da janela eu podia ver o que passava e ficava pra trás, e um pouco do que ainda tinha que ser ultrapassado. Parece que sozinho a gente encontra alguma coisa que se assemelhe a uma resposta do que você tanto quer saber. Procuro saber o que eu ainda não sei, mas só de reler alguns trechos mentais meus sinto como se passeasse pelo tempo, num ônibus com somente um banco, de uma linha que termina no hoje.

Entre o sim e o não: talvez. Isso serve como prefácio da minha vida. Nada mais justo do que reticenciar uma pessoa como eu logo no começo, ao invés de fazê-lo no final. A minha grafia impede que o leitor tenha a conclusão exata do que eu propriamente escrevo. Só sei que pedi um tempo pra pensar e não precisei nem de meia hora pra perceber o quanto eu amo e o quanto é bom estar acompanhado, e assim não mais sozinho.

Daonde eu tiro tudo isso?

Não há um saco sem fundo, nem um baú, muito menos algum logradouro inexistente que só se atinge em pensamento. É de verdade. É muito real. Na verdade eu não sei o que é, pois só tenho acesso a ele quando estou de olhos fechados. Tudo que me vem à memória agora são as paredes frias e o eco da minha voz, que se perde no espaço. Quando menos espero, me pego apalpando memórias em busca de algo que faça sentido para todos, e não só pra mim. Eu vivo em função de compartilhar minhas dádivas e meus demônios com aqueles que optaram por me seguir. Eu vivo em função dos que significam algo pra mim e me consideram.

Hoje o tempo voa. Temos uma vida só, mas dentro dessa podemos viver muitas. E eu quero todas as minhas. Porque a gente nasceu pra ser feliz!

Eu faço parte de toda essa viagem, mas não sou o piloto. Não sou o passageiro. Não sou o pedestre.

Eu sou o acidente, e eu sou grave.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Palavras

Esse que aqui escreve sou eu com saudade, indigno de menção fotográfica.

Ando terminando frases com ‘to fora’ e preenchendo lacunas de diálogos com ‘…enfim’. Essa tem sido minhas respostas no momento, respostas de poucas palavras mas que escondem muitas explicações em suas entrelinhas. Às vezes não é necessário dar uma resposta que a outra pessoa a classifique como resposta, exatamente, mas se você tem as manhas do que está falando é melhor se omitir e logo de cara mandar uma coisa tal como um eufemismo, pra aliviar e amenizar o real efeito do que realmente deveria ser mencionado.

Muita gente tem medo de ouvir algo que de alguma forma lhe causará incômodo. De fato isso é normal, pois sei que toda contradição é o oposto do que você realmente defende e acredita. A ficha demora a cair, mas o que se pode fazer quando não há absolutamente mais nada a fazer? Lamentar, talvez. Chorar, quem sabe. E lembrar. E relembrar.

Impressiona a capacidade que o ser humano têm de se expor ao ridículo quando está desesperado. Isso também serve pra quem vive numa ansiedade sem fim e sem saber o porquê. Ansiedade é uma das piores coisas do mundo. É como esperar por algo que a gente não tem a mínima idéia da possibilidade de acontecer. Normalmente a gente fala ou faz as coisas mais idiotas do mundo quando tá ansioso demais ou algo do tipo. E normalmente isso não é muito legal.

Quanto mais eu descubro coisas sobre a vida, menos eu sei sobre eu mesmo. E digo mais, eu escrevo pra remover em mim o excesso de culpa, mesmo ela não sendo minha. Culpa essa de não saber a hora certa de dizer as coisas. Culpa que me culpa. Culpa essa que me tira o sono quando me sinto incomodado com coisas que não devem ser explicadas mas que dão vontade de explicar.

Pra mim – isso pode ser muito pessoal – escrever é enfiar um dedo na garganta. Essa ânsia que eu sinto é amenizada quando eu cuspo todas essas minhas inconstâncias em todas as direções eu as devio de quem eu quero, deixando atingir quem realmente precisa ser atingido. Mas o mais prejudicado nessa história toda sou eu mesmo, eu peco na minha omissão e isso é como se eu apontasse uma arma contra meu próprio peito e apertasse o gatilho.

O que está escrito na maioria das vezes é fictício, mas confesso gostar tanto desse cenário que dá vontade de vivê-lo sempre.

Há palavras que nos roubam. Há palavras que nos devolvem.

sábado, 10 de julho de 2010

Memórias custam a apagar

Lembro que fui pego de surpresa ao receber uma visita inesperada. Eu estava como sempre estive, assistindo a minha vida passar e mudando o que eu achava necessário mudar. Às vezes sorrindo, ora em silêncio, mas sempre atento ao que me rodeava e ao que insistia em me tocar os tímpanos tal como uma nota de alguma melodia.

Lembro que a alegria – quando deveras era demonstrada – contagiava a todos que comigo estavam e sempre fazia com que um ou outro sorriso se estampasse no rosto de alguém. Posso dizer que isso era tida como uma rotina, mas me esqueci que a rotina é uma coisa que foi criada pra ser quebrada. E isso nem sempre é legal.

Lembro que minha visita insistia em dizer somente a verdade e aquilo me causava um certo desespero e me tirava a paz. Tomei as rédeas da situação e bati de frente com tudo aquilo que se encontrava na minha frente armada até os dentes. E com munição de sobra ainda. E o que fazer? E o que sentir?

NADA. Ouvir, apenas. Me lembrei também que em certos momentos eu prefiro as mentiras multifacetadas, valem mais à pena, pelo simples fato de me deixar imune de tudo aquilo que eu NÃO queria saber e muito menos ouvir. Daí eu tento aceitar que assim vai ser melhor pra mim, mas não dá para acreditar. Tomando um tapa na cara a cada contradição minha eu já me via grogue e mesmo assim insistia na versão da história que a qual eu próprio era o diretor.

Resistir. Sei que há sempre aquele determinado momento na vida em que muita gente resolve botar pra fora alguma coisa que está guardada dentro de si e que nunca foi exposto à nada e à ninguém, nem que seja pela primeira vez na vida isso um dia acontece, cada um tem sua hora e seu tempo e quando fui 0 alvo desse arsenal de verdades, aquilo parecia não ser real, justamente por eu não querer acreditar no que ouvia. Mas aquela cena na minha sala de visita eu era um mero espectador somente, nada podia fazer além de ouvir e aceitar.

Acho que falo demais. Acho que falo mais do que sinto. E foi assim que consegui o passaporte para me tele-transportar pra dentro do meu peito pra perguntar quanto tempo aquela hóspede ficaria aqui. Quanto tempo? O tempo necessário pra eu aprender que determinadas coisas na vida devem ser aceitas sem um porquê, e que não importa o quão forte seja a dor daquilo que te acontece e que te chega aos ouvidos, que nem nossas lembranças mais fortes, nem os momentos mais felizes e muito menos as marcas de toda uma vida são capazes de mudar o que já aconteceu e não volta mais.

“ A lembrança do silêncio
Daquelas tardes, daquelas tardes”

PORRA!

Memórias custam a apagar. Daria tudo pra ser como antes. Ando pensando assim, em círculos, com respostas dentro de perguntas. Mas nenhuma pergunta é grande o suficiente para comportar a resposta que eu procuro.

“As coisas aconteciam com alguma explicação
Era assim que as coisas aconteciam
Era assim que eu via tudo acontecer.”

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Chek in

Cada pessoa age de uma forma diferente à medida que o tempo vai passando. Isso é a ordem natural das coisas. E isso também nem sempre é muito legal. Tem gente que muda do dia pra noite, assim como tem gente que demora um determinado tempo pra que a mesma – de alguma forma – sofra alguma mutação (no sentido menos heróico da palavra).

Certa vez me perguntei qual era a fórmula ou alguma possível explicação – se é que ela exista ou possa existir um dia – como as pessoas são capazes de mudar a tal ponto de causar a inconstância e uma certa desaceitação na vida de outrem. Outra vez me peguei em um momento de puro saudosismo, como sempre procurando perguntas dentro de respostas. Em vão, pois quanto mais chegava nesse ponto era uma queda, e me via num estado de espírito inquieto, com a qual eu não sentia a mínima falta. Não se pode dizer que tem um coração batendo no peito e sair andando por aí sem dar explicação quando se perguntado à respeito, como se nada tivesse acontecendo. Mas muita gente não sabe que é impossível responder a uma pergunta em que o questionado não sabe sequer o que há dentro de si.

Tenho evitado a desistência, na maioria das vezes. Os momentos em que eu chego enfim onde penso ser mais uma encruzilhada da minha vida são os mais angustiantes possíveis. E isso também não é muito legal.

Às vezes penso que minha vida é contada no check in, isso pra não dizer no caminho até o avião, e além disso isso pode ser a previsão de como será o próximo vôo. Turbulências? Virão sim, e elas são constantes pra mim. Tem saudade que vai junto com o avião, tem paixão que não solta do chão da nossa casa, tem ansiedade que fica na parede do nosso quarto. Mas mesmo assim meu vôo continua seguindo em frente, e o tempo não pára pra que eu possa descansar.

Eu preciso de muitas coisas. Mas tem mais coisas ainda de que eu não preciso.

É. Me sentirei mais seguro dentro de um avião mesmo. Um avião sem piloto.

sábado, 26 de junho de 2010

Então deixa que o tempo (8)

Muita gente deve estar tendo os mesmos pensamentos que eu nesse momento. É como se isso fosse um ensaio e todo mundo combinasse de imaginar a mesma coisa ao mesmo tempo. Pode parecer estranho, mas em muitas ocasiões isso acontece sem que nós mesmos saibamos que outrem está pensando a mesma coisa que a gente. Bom, o que venho dizer aqui hoje nada mais é do que mais um mero eufemismo criado por eu mesmo.

Alguém aí, por obséquio, poderia me dizer quem são as pessoas – ou A pessoa – que te ame e goste de você de verdade? Pois bem, mais uma vez dentro da resposta dessa pergunta haveria outra pergunta que a qual não cabe a mim tentar entender. Mas não deixa de ser uma boa questão. O que mais se vê por aí é gente com medo de se expressar e dizer o que sente de verdade, seja lá por qual motivo for, e isso é errado e cruel. Assim uma coisa que deveria ser dita a alguém fica escondida e cada vez mais esse medo vai aumentando. E nisso o tempo vai passando… e passando. Penso que há um momento pra que a gente saiba quem é que goste da gente de verdade, e esse momento não é nada agradável. Na hora que você deixa de ser matéria e passa a ser somente espírito.

Esse é o único momento em que você pode realmente conhecer as pessoas que conviviam contigo, ver o que se passa com elas e até mesmo descobrir o que elas sentem. Mas, do que adianta descobrir essas coisas sendo que você não pode fazer mais absolutamente nada? O certo seria decifrar essas inconstâncias enquanto a pessoa estivesse presente e em vida, porque aí sim ela teria o que fazer e se sentiria infinitamente realizada descobrindo que alguém, pelo menos em silêncio, a amava.

É como se você estivesse em uma viagem e pegasse no sono durante todo o caminho, daí no fim do percurso você perceberia que perdeu o melhor da viagem. As paisagens, os lugares e tudo mais que se pode notar em uma viagem seria em vão, porque você dormiu e não viu nada. Daí depois, alguém chegaria até você e te contaria tudo e por um breve momento a tristeza te tomaria justamente por não ter presenciado e desfrutado daquele momento.

É mais ou menos por aí. Você só saberia de certas coisas no depois, e não no agora, sendo que agora é sempre o momento de dizer o que tem pra dizer. E deixa que o tempo se encarrega de mandar o medo pra bem longe.

Um pouco mais de desespero, por favor.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Saudades :'(

Eu já me machuquei de tanto sentir saudade.

Foi de repente, e quando me vi já estava com aquilo impregnado dentro do meu peito como velcro. Não coube a mim escolher se sentiria aquilo ou não, foi algo automático e injusto. Sim, na maioria das vezes a saudade é injusta. Me peguei em um momento de muita ansiedade – como sempre acontece comigo e isso não é novidade nenhuma aqui – e não sabia ao certo o que fazer exatamente. E agora?

Inconstância. Nada é capaz de barrar esse sentimento acompanhado de uma dose considerável de ansiedade. Talvez essa seja a principal fórmula da loucura, ou até mesmo da eminente situação que me vejo nos intervalos de tempo em que paro pra pensar. Inquietação. A gente não sabe, mas há certos caminhos e estradas da nossa vida em que sequer há uma certa percepção emocional e notória. Algumas coisas – pessoas, lugares, histórias – simplesmente sumiram da minha vida e é até engraçado pensar que elas não fazem falta alguma. É assim que acontece, e a gente só se dá conta disso quando pára pra dar lugar ao bom e velho saudosismo, nem que seja por alguns poucos minutos.

Só sente saudade quem um dia já amou ou sentiu algo realmente verdadeiro. Saudade é você passar por um caminho e reciprocamente esse caminho também passar por você e deixar marcas, e motivos de sobra para futuras lembranças benéficas. É você se prender à determinados momentos e pessoas da vida simplesmente por eles terem sido simples de mais naquele milésimo de segundo. E isso vale a pena. E muito. A vida é isso mesmo, o tempo vai passando e a saudade apenas vai mudando de endereço…

Para que a saudade valha a pena, é preciso ser amado. E amar. E amar-se.

Oi, saudade. Fazia tempo que não tê sentia. Mas agora já pode ir embora e parar de me atrapalhar a vida.

sábado, 22 de maio de 2010

Ao acordar

E ao acordar, em alguns segundos a imagem retorcida do seu rosto se formou nos meus pensamentos. Talvez fosse humanamente impossível reconhecer algo ou alguém naquela imagem, mas pra mim não havia dúvidas, era você. Não poderia ser outra pessoa, não haveria lugar para outro ser em meus pensamentos. Por diversas vezes me pus a esfregar minhas mãos no rosto com o intuito de, não apagar, mas esconder aquela imagem,em vão. Mais algumas tentativas, nada. Desisti. A intenção era repassar o sonho da noite passada, lembrar os detalhes minuciosos, mas eu não podia brigar com minha própria mente, seria inútil. Continuei lá,sentado na cama,quase que imóvel,com seu rosto tatuado em minha mente. Eu não queria sair,mas também não queria ficar. Na verdade,eu mal sabia o que queria. Não,eu sabia exatamente o que eu queria. Queria olhar pro lado e encontrar você,deitada. Queria poder observar seu sono,tentar descobrir seus sonhos,decifrar seus gestos. Eu queria você,simples assim. De repente,sem meu consentimento,uma lágrima se formou nas pálpebras do meu olho,o esquerdo primeiro,logo depois o direito. Alguns segundos depois elas escorreram. Haviam ganhado mais força depois de libertas. E,agora,estavam no canto da minha boca. Um rápido suspiro foi o suficiente para que elas penetrassem por entre meus lábios e se misturassem nas células da minha língua,me fazendo sentir o gosto amargo delas,um gosto doloroso,gosto de saudade. Mais duas lágrimas,agora mais fortes que nunca,com mais velocidade. Mas essas não faziam paradas,iam direto pro fim do rosto,escorriam pelo queixo e gotejavam no resto do meu corpo. Uma delas foi mais desgarrada,mais abusada,foi direto no peito,bem sobre o coração. Foi então que a imagem do seu rosto se perdeu na minha memória e,como um filme,as cenas daquele sonho vieram me confortar. Lá estávamos nós,juntos,unidos em um só corpo.
E,mesmo que eu ainda não pudesse te ver,mesmo que a sua imagem ainda estivesse retorcida e distante demais,eu sei que era você. Então,o coração se acalmou,as lágrimas se foram e o sono voltou. Eu me deitei novamente,abracei o cobertor e fechei os olhos .. dormi. Não por cansaço,e sim para te encontrar novamente nos meus sonhos. Pois somente lá eu posso sentir você. Por enquanto ..

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Mudança

Eu tive que mudar.

É estranho a maneira com que isso acontece. É como se você não estivesse totalmente completo ou satisfeito com tuas próprias ações e decisões e por motivo de força maior você fosse obrigado a mudar isso, de uma forma ou de outra. Existem inúmeras ocasiões que são as principais causadoras da nossa ‘ mudança’, e fazem com que essa mudança se torne algo a ser conquistado.

Receita? Fórmula? Dica? Não. Não há nada que nos auxilia quando temos que mudar e também não está em nenhum tipo de cartilha como fazer isso ou aquilo. Muita gente se pergunta se vale a pena mudar ou não, mas mal sabe elas que a mudança é tão necessária quanto levantar da cama ao acordar todos os dias de manhã. Enfim, mude! Mesmo que doa. Mesmo que pra isso você tenha que passar dos seus limites. Mesmo que as pessoas não acreditem o suficiente em ti pra você se sentir capaz.

A vida é feita de mudanças, de transformações, e cabe a cada um mudar da forma que achar necessário. Muitas pessoas pensam haver uma fase pra que isso aconteça, mas, por mais que elas pensem, não existe um momento pra isso. Sempre é hora de mudar!

Eu pedi pra alguém mudar minha vida. Mas nunca ouvi alguém responder. E o tempo não para pra gente descansar. Eu tive que mudar sozinho.

E mudei.